O problema não é o que você sente… é misturar tudo
- Girlande Oliveira
- 8 de abr.
- 4 min de leitura

Você já se perguntou por que, mesmo sabendo o que deveria fazer, você acaba fazendo exatamente o contrário?
Ou por que, em algumas situações, você sente algo no peito antes mesmo de conseguir explicar com palavras?
Ou ainda… por que você se envolve em histórias que, no fundo, você já sabia como iam terminar?
A verdade é que você não é confusa. Você só não foi ensinada a entender como funciona por dentro.
E eu te digo isso com muita honestidade: eu também, muitas vezes, me percebo caindo nesses mesmos percalços.
Não é sobre falta de conhecimento. É sobre consciência no momento em que tudo acontece.
E quando você não entende o seu funcionamento, você se julga…quando, na verdade, você só está operando no automático.
Hoje eu quero te mostrar algo simples — mas que muda completamente a forma como você se vê.
O mundo não chega até você de uma única forma
Tudo o que você vive passa por um encontro: entre o mundo e você.
Mas esse mundo não chega de um jeito só. Ele se apresenta em três dimensões diferentes:
1. O mundo material
É tudo aquilo que você vê, toca, sente no corpo. A luz, o ambiente, o toque, a presença física.
Desde bebê, você já percebe isso.
2. O mundo moral
Aqui entra algo mais sutil. Você começa a sentir inclinações.
Você gosta ou não gosta. Se aproxima ou se afasta. Sente conforto… ou um incômodo que não sabe explicar.
Antes mesmo de pensar, você já sentiu.
3. O mundo intelectual
Aqui você começa a entender. Você percebe o que é verdadeiro ou falso.
Você olha para uma situação e pensa:“isso não faz sentido”“isso não é verdade”
E essa parte não tem forma, não tem matéria… mas existe com muita força.
O problema não é o que você sente… é misturar tudo
Dentro de você, essas três dimensões geram três tipos de experiência:
Sensação (corpo)
Sentimento (inclinação)
Crença (o que você entende como verdade)
E o grande erro — que eu também já cometi e, às vezes, ainda me percebo repetindo — é misturar tudo isso.
Você sente… e acha que é verdade. Você pensa… e acha que é sentimento. Você reage… e chama isso de escolha.
E é aí que começa a confusão interna.
Nem toda decisão nasce da razão
A maioria das nossas decisões não começa na cabeça.
Começa no peito.
Sentimos algo…e depois justificamos.
Por isso, tantas vezes sabemos que algo não é bom para nós…mas continuamos.
E eu te falo com muita verdade: não é falta de inteligência. É porque existe uma parte em nós que já se inclinou antes da nossa razão entrar.
Existe uma estrutura dentro de nós (e você pode aprender a enxergar)
Dentro de nós existem “faculdades” — como se fossem ferramentas internas que lidam com cada parte da realidade.
De forma simples:
• Uma parte percebe o mundo material
• Outra parte sente o que é bom ou ruim
• Outra parte reconhece o que é verdadeiro ou falso
• E existe uma parte que decide: a nossa vontade
O problema é que, quando não reconhecemos isso, achamos que tudo é uma coisa só.
E não é.
E eu mesma já me peguei confundindo isso — achando que estava decidindo com clareza, quando na verdade só estava seguindo uma inclinação emocional.
A parte mais difícil: sustentar o conflito
Existe um lugar dentro de nós onde tudo fica confuso.
É quando vemos algo bom… e ruim ao mesmo tempo.
É quando gostamos… mas desconfiamos. Quando queremos… mas sabemos que não deveria.
Esse é o campo moral.
E é aqui que muitas mulheres — e eu me incluo nisso em vários momentos da minha vida — se perdem.
Porque sentimos… mas não sabemos sustentar esse sentir com consciência.
Então decidimos rápido demais…ou permanecemos tempo demais.
Saber não é o mesmo que agir
Talvez você já tenha percebido isso:
Você entende. Você sabe. Mas não consegue agir.
Isso acontece porque quem decide não é só a sua mente.
Existe algo chamado vontade.
E a vontade é como uma luz.
Tem dias que ela está forte. Tem dias que está fraca.
E quando ela está fraca, você até enxerga… mas não consegue se mover.
E sim… eu também já estive em momentos em que sabia exatamente o que precisava fazer, mas não consegui agir na mesma proporção da clareza.
O verdadeiro autoconhecimento não é sobre sentir mais
É sobre se entender melhor.
É saber distinguir: o que você está sentindo, o que você está pensando, o que você acredita e o que está te movendo
É parar de se chamar de confusa…e começar a se observar com mais verdade.
Talvez você não precise de mais força…
Talvez você só precise de mais clareza.
Porque quando você entende como funciona por dentro, você para de se abandonar enquanto sente.
E começa, aos poucos, a se conduzir com mais consciência.
Sem perfeição. Sem rigidez. Mas com verdade.
E, principalmente, com mais gentileza com você mesma nesse processo — porque ele também é humano, imperfeito… e em construção.
Se esse texto te tocou, talvez seja porque você também já começou a perceber: não é sobre nunca mais errar… é sobre não se perder de você enquanto vive.
Com presença e coragem,
Girlande Oliveira.


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