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Aprendendo a lidar com o que ninguém nos ensina

  • Foto do escritor: Girlande Oliveira
    Girlande Oliveira
  • 4 de jun. de 2025
  • 5 min de leitura

Se tem algo que todos compartilhamos, independentemente da nossa história, são as perguntas que a vida real nos coloca diante do espelho.Não falo das perguntas acadêmicas, das entrevistas de emprego ou das metas que traçamos no réveillon.Falo das perguntas que surgem no silêncio da madrugada, no final de um dia difícil, no banho, no trânsito ou na mesa de um café, quando a vida aperta o coração:

“Por que dói tanto?”“Por que eu continuo me sabotando?”“Como eu vou sobreviver a essa perda?”“Por que me sinto sozinha, mesmo cercada de gente?”“O que eu realmente quero para a minha vida?”

Essas são as questões da vida real — e, curiosamente, são também as mais universais, as mais humanas, as que atravessam gerações e culturas.

O problema é que quase ninguém nos ensina a lidar com elas.E, justamente por isso, muitas vezes nos sentimos sozinhas quando elas surgem.

Hoje quero conversar com você sobre essas perguntas silenciosas e desconfortáveis — não para te dar respostas prontas, mas para caminharmos juntas no terreno do não saber, do aprender e, sobretudo, do viver com mais presença e verdade.


O que são, afinal, as questões da vida real?

As questões da vida real não vêm com manual de instruções.Elas surgem em momentos inesperados, nas dobras entre um acontecimento e outro, nas pausas em que nos vemos frente a frente com nós mesmas.

Elas aparecem quando:

  • um relacionamento acaba;

  • um emprego é perdido;

  • a saúde falha;

  • um sonho desaba;

  • uma amizade se rompe;

  • a solidão bate na porta;

  • a vida nos mostra que não temos controle de quase nada.

Elas nos obrigam a fazer perguntas fundamentais:Quem eu sou?O que me move?O que eu quero deixar para o mundo?O que ainda me faz sentido?

E, enquanto não nos permitimos olhar para essas perguntas, seguimos no automático — vivendo pela metade, acumulando frustrações, ignorando os sinais do corpo e da alma.


O desconforto do não saber

Vivemos em uma sociedade que idolatra respostas rápidas, eficiência, produtividade.Mas as questões reais da vida não se resolvem com atalhos.

Perguntas como:

  • “Por que não consigo me entregar ao amor?”

  • “Por que tenho tanto medo de fracassar?”

  • “Por que me comparo tanto com os outros?”

  • “Por que carrego essa sensação de inadequação?”

não se resolvem com frases motivacionais de rede social nem com listas de tarefas.

Elas precisam de tempo.Precisam de escuta.Precisam de um espaço seguro para existir.

E o maior desafio? Aprender a ficar no não saber.

Porque o não saber é desconfortável.O não saber nos tira do controle, mexe com nossa autossuficiência, nos faz vulneráveis.

Mas também é no não saber que começamos a aprender quem somos de verdade.


Por que evitamos essas perguntas?

Existem muitos motivos pelos quais evitamos olhar para as questões da vida real:

  • Medo do que vamos encontrar. Olhar para dentro pode nos mostrar dores, inseguranças e fragilidades que preferiríamos manter escondidas.

  • Falta de espaço emocional. Às vezes, estamos tão ocupadas sobrevivendo, trabalhando, cuidando dos outros, que não sobra energia para olhar para nós mesmas.

  • Pressão social. Vivemos cercadas de expectativas externas: ser feliz, ser bem-sucedida, ter respostas para tudo. Não há muito espaço para dúvidas.

  • Dor de encarar verdades difíceis. Admitir que um relacionamento não faz bem, que um trabalho não tem mais sentido ou que uma amizade se desgastou dói.

Mas, por mais que tentemos evitar, essas perguntas nos perseguem. E, quando decidimos parar e escutar, algo profundamente transformador acontece.


O poder de fazer as perguntas certas

Autoconhecimento não é, necessariamente, ter respostas para tudo.Autoconhecimento é ter coragem de fazer as perguntas certas — e sustentar o processo de buscá-las.

Algumas perguntas que gosto de trazer para minha própria vida (e que podem te ajudar):

  • O que eu tenho sentido nos últimos tempos e não estou nomeando?

  • Quais são os momentos do meu dia em que me sinto mais viva?

  • O que me esgota emocionalmente — e por quê?

  • O que eu continuo carregando que já deveria ter deixado ir?

  • O que eu espero dos outros que eu mesma não tenho me dado?

Essas perguntas não trazem respostas instantâneas.Mas elas abrem espaço.E abrir espaço é o primeiro passo para qualquer transformação.


Como lidar com as questões da vida real

Aqui não há receita mágica, mas compartilho algumas práticas que podem te apoiar nesse processo:

  1. Permita-se sentir.

    Sentir medo, raiva, insegurança, tristeza — tudo isso faz parte do caminho. Não tente ser perfeita nem pule etapas.

  2. Escreva.

    A escrita é uma ferramenta poderosa de autoconhecimento. Escreva sem filtro, só para você. Coloque no papel suas dúvidas, medos, insights.

  3. Converse com pessoas seguras.

    Nem todo mundo saberá ouvir suas perguntas sem julgamento, mas encontre aqueles que sabem — sejam amigos, familiares, terapeutas, grupos de apoio.

  4. Dê tempo ao tempo.

    Questões profundas não se resolvem em um dia. Respeite seu ritmo. Honre seu processo.

  5. Busque práticas de presença.

    Meditação, yoga, caminhadas na natureza, arte… encontre um jeito de silenciar a mente para ouvir a alma.


As armadilhas no caminho

Ao começar a olhar para as grandes perguntas, é comum cair em algumas armadilhas:

  • Querer respostas definitivas.

    A vida não é um enigma com solução única. Muitas vezes, o processo importa mais que o resultado.

  • Comparar sua jornada com a de outros.

    Cada pessoa tem um ritmo. O que funciona para uma amiga pode não funcionar para você — e tudo bem.

  • Se culpar por não “evoluir rápido”.

    Autoconhecimento não é uma corrida. Ele acontece aos poucos, no seu tempo.

  • Querer controlar tudo.

    Aprender a soltar, confiar, entregar faz parte da jornada.


Quando pedir ajuda

Nem todas as perguntas conseguimos responder sozinhas.E isso não é sinal de fraqueza — é sinal de humanidade.


Procure apoio profissional quando:

  • A dor emocional se torna insuportável.

  • Você percebe padrões de autossabotagem muito fortes.

  • Sente sintomas físicos associados à angústia (insônia, falta de apetite, crises de ansiedade).

  • Precisa de alguém para organizar os pensamentos e emoções.

A terapia, por exemplo, é um espaço seguro para lidar com as questões mais profundas da vida.


O que nasce do encontro com a vida real


Quando nos permitimos mergulhar nas questões da vida real, algo em nós amadurece.

  • Aprendemos a lidar melhor com a incerteza.

  • Desenvolvemos mais empatia pelas dores alheias.

  • Descobrimos forças que nem sabíamos que tínhamos.

  • Passamos a valorizar o que realmente importa.

  • Resgatamos nossa essência, para além dos papéis que desempenhamos.

Esse processo não nos torna intocáveis ou invencíveis.Ele nos torna mais humanas, mais inteiras, mais presentes.


Para levar consigo

As questões da vida real não são um problema a ser resolvido.

São um convite.

Um convite para nos conhecermos com mais profundidade.

Um convite para revermos nossas escolhas.

Um convite para voltarmos para casa — para dentro de nós mesmas.

Você não precisa ter todas as respostas.

Você não precisa ser forte o tempo todo.

Você só precisa estar disposta a olhar para si mesma com honestidade e ternura.

Que possamos honrar nossas perguntas.

Que possamos respeitar nossos silêncios.

Que possamos celebrar, um dia, as respostas que surgirem — e as que talvez nunca venham.

Com carinho,

Girlande Oliveira

 
 
 

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Girlande Oliveira com fundo inspirador sobre autoconhecimento e superação emocional.
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