As noites que atravessam a gente
- Girlande Oliveira
- 8 de fev.
- 2 min de leitura

Há noites que não passam rápido.Noites longas, silenciosas, cheias de pensamentos que não pedem licença.
Durante o tempo em que estive na UTI, vivi muitas delas, mesmo estando inconsciente. Um tempo em que o corpo lutava por mim quando eu já não podia escolher, nem compreender, nem reagir. Enquanto a consciência dormia, algo em mim permanecia ali, atravessando.
A UTI é um lugar onde o tempo se dilata.O dia e a noite perdem contorno.O corpo entra em modo de sobrevivência.E a alma… a alma observa, mesmo quando não sabemos explicar como.
Ali, aprendi algo que só se aprende quando não há controle:há processos que não se resolvem com força, apenas com permanência.
Permanecer respirando.Permanecer existindo.Permanecer viva, mesmo quando tudo está suspenso.
Depois da alta, muitos imaginam que tudo volta ao normal.Mas a verdade é que a recuperação não tem um marco claro. Ela acontece em camadas. Em dias bons e dias difíceis.
Em avanços pequenos que só quem vive percebe.
O corpo segue reaprendendo.O sistema nervoso segue se reorganizando.E eu sigo em recuperação.
Hoje entendo que aquelas noites não foram um castigo. Foram travessias. Elas não me quebraram. Elas me ajustaram ao essencial.
Nem toda noite escura anuncia o fim.Algumas estão apenas preparando o corpo e a vida para continuar.
Se você também atravessa um tempo assim, talvez em silêncio, talvez invisível aos outros, saiba: continuar já é muito.
Permanecer já é coragem.
Eu sigo.
Um dia de cada vez.
Com respeito ao corpo que resistiu e à vida que continua se refazendo em mim.
E deixo aqui um convite suave:o que em você ainda está em processo de recuperação, mesmo que ninguém veja?
Se quiser, compartilha comigo nos comentários. 🌱
Com resiliência,
Girlande Oliveira.




Comentários