Entre salvar e soltar: o mapa das quatro forças
- Girlande Oliveira
- 16 de ago.
- 3 min de leitura
Hoje, ouvindo “Born With a Broken Heart”, do Damiano David, parei no verso “Baby, you can’t fix me”. Na mesma hora lembrei de Coldplay e do “And I will try to fix you”. Entre essas duas frases está a virada que muitas de nós precisam fazer. De um lado, a vontade de salvar. Do outro, o limite de quem sabe que cada um tem o próprio caminho de cura. Para sair do papel de consertar tudo, uso um mapa simples que me ajuda a cuidar de mim e das minhas escolhas.
O mapa de quatro forças
Pense em uma bússola com quatro pontos. Cada ponto é uma força que existe dentro de você e aparece na sua vida diária.
Terra
É a sua base. Corpo, rotina, limites, dinheiro organizado, casa em ordem mínima. Quando a terra está cuidada, você se sente segura e presente. Exemplos. Beber água. Dormir no horário. Fazer uma lista curta para o dia. Pagar uma conta. Deixar a mochila de amanhã pronta.
Ar
É a clareza. Pensamentos, estudo, conversa honesta, perspectiva. Quando o ar está ativo, você entende o que sente e consegue nomear as coisas. Exemplos. Escrever três linhas sobre o que é verdade hoje. Pedir uma conversa objetiva. Ler algo que ilumina.
Fogo
É a ação. Coragem, foco, decisão possível. Quando o fogo acende na medida certa, você sai do lugar. Exemplos. Fazer aquela ligação. Enviar uma mensagem. Caminhar cinco minutos. Abrir um arquivo e avançar um parágrafo.
Água
É o afeto. Emoções, vínculos, intuição, descanso que acolhe. Quando a água flui, você se sente vista e nutrida. Exemplos. Falar com uma amiga de confiança. Chorar no banho sem se julgar. Orar. Abraçar. Ouvir música.
Como usar
Pergunte ao longo do dia. O que está faltando agora? Terra, ar, fogo ou água? Escolha uma ação simples nessa força e faça em poucos minutos. Essa pergunta devolve equilíbrio sem drama.
Para sair do modo conserto
A tentação de consertar tudo costuma vir de água demais e fogo demais. Muito sentimento. Muita pressa. Pouca clareza e pouca base. O mapa te puxa de volta para o centro.
Pare um minuto e pergunte. É meu ou é do outro?
Se for do outro, escolha um cuidado possível e finito. Uma escuta. Um contato de ajuda. Uma oração. Ofereça e solte.
Aplique terra e ar. Faça algo concreto por você e escreva o que é verdade hoje.
Acenda um fogo gentil. Uma micro ação sua. Não do outro.
Frases que ajudam. Eu me importo e estou aqui. Não posso assumir essa responsabilidade. Vou cuidar do que é meu agora.
Quando aceitar e seguir é o melhor cuidado
Aceitar não é frieza. É respeito pela realidade e por você. Alguns casos pedem aceitação.
Quando a pessoa não reconhece o problema. Sem consciência não há mudança real.
Quando ela diz que não quer ajuda. Sem consentimento, ajuda vira invasão.
Quando o padrão se repete e as conversas já aconteceram várias vezes sem ação. É escolha. Não fase.
Quando o preço para salvar seria sua saúde, seu dinheiro ou sua paz. Está caro demais.
Quando há choque de valores centrais. Amor não arruma base que não combina.
Quando é assunto técnico. Dependência, questões clínicas e legais pedem profissional.
Quando você só se sente valiosa salvando. O conserto que falta é em você.
Um mini roteiro para a semana
Segunda é terra. Organize o básico e proteja seu sono.
Terça é ar. Escreva o que é verdade e o possível de hoje.
Quarta é fogo. Transforme uma intenção em uma micro ação.
Quinta é água. Procure um colo seguro e ofereça presença.
Sexta é equilíbrio. Revise proporções e ajuste o que ficou torto.
Fim de semana é descanso com intenção. Corpo. Sol. Silêncio. Risada.
Voltando à música
Entre o “you can’t fix me” e o “I will try to fix you” existe um caminho do meio. Nem salvadora eterna. Nem espectadora fria. Mulher inteira, com amor e limites. O mapa das quatro forças te mostra o que fazer agora. Terra para sustentar. Ar para clarear. Fogo para mover. Água para nutrir. Assim você ama sem se abandonar e segue sem carregar o que não é seu.
Se este texto te fez bem, me conta nos comentários qual força você vai praticar hoje. Se achar que pode ajudar alguém, compartilhe. Às vezes bastam quatro passos simples para a gente respirar melhor e continuar.
Que a gente siga leve, escolhendo o que nos sustenta hoje e confiando que o novo se anuncia a cada passo.
Girlande Oliveira
Comentários