Quando a pressa mora no agora
- Girlande Oliveira
- 9 de fev.
- 2 min de leitura
Existe uma pressa silenciosa que me acompanha neste tempo. A pressa de retomar a vida de antes. De voltar ao ritmo antigo. De provar, para mim mesma e para o mundo, que está tudo bem.
Eu ainda sinto essa pressa.
Ela aparece nos dias em que o corpo cansa antes do esperado.
Nos momentos em que a mente pede pausa, mas a expectativa quer continuidade.
Ela surge como uma tentativa de recuperar quem eu era antes de tudo o que aconteceu.
Estou em recuperação.
Sigo em acompanhamento médico, com um diagnóstico ainda não fechado, de provável encefalite autoimune. Isso significa incerteza. Significa escuta constante do corpo. Significa aceitar que nem tudo pode ser apressado ou resolvido de uma vez.
E, pouco a pouco, a vida vai me ensinando algo difícil e necessário: nada será como antes.
Não porque algo deu errado, mas porque algo profundo está em curso.
Há experiências que não permitem retorno.

Apenas continuidade em outro ritmo, em outra forma, em outro lugar interno.
Há um luto silencioso pela versão antiga de mim, pela previsibilidade, pela sensação de controle.
Aceitar esse agora exige maturidade emocional. Exige presença. Exige humildade diante do corpo que ainda se reorganiza e da mente que ainda se adapta.
Respeitar meus limites hoje não é desistir da vida. É cuidar dela para que continue sendo possível. É permitir que o processo aconteça sem violência interna.
A pressa ainda existe. Mas junto dela começa a nascer algo novo: a consciência de que a vida não está atrasada. Ela apenas mudou de linguagem.
Talvez a maior coragem agora não seja voltar correndo para o que era, mas permanecer fiel ao que sou neste momento, mesmo que isso desafie expectativas, inclusive as minhas.
Nada será como antes.
E ainda assim, a vida segue acontecendo, pedindo cuidado, paciência e confiança.
Com amor e fé, Girlande Oliveira 🌱




Comentários